quinta-feira, 19 de março de 2009

De olho no PPP Brasil. É só espiar! (Cap. 8)

Então, depois de terceirizar o nepotismo, o Senado resolveu terceirizar também a culpa pela lista de escândalos, pedindo "apenas" e "tão somente" a cabeça dos diretores da Casa.
O espírito de corpo, presença constante na Câmara durante as votações de cassação de mandato dos deputados acusados do mensalão, atravessou para o outro lado do Congresso. Ninguém fala nada sobre os desvios pessoais de cada senador. Solenemente, atribuem-se os escorregões a erros.
Obviamente, errar é humano. Reconhecê-los, é louvável. Porém, vale dar uma olhada no Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994, que aprovou o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. Tudo bem, é do Executivo, não do Legislativo, mas algumas palavras ali contidas deveriam servir de norte para a conduta de qualquer pessoa que se aventurasse ao serviço público, principalmente para os nossos representantes diretos, detentores de cargos eletivos. O referido código, em seu Capítulo I, Seção I, inciso VIII, traz o seguinte preceito: "Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação".
É bom que tais ditames tornem-se referência, pois senão, vão-se os erros, ficam os senadores e a conveniência de novos e mais cabeludos erros. Um dos pontos mais curiosos é o fato de Suas Excelências só tomarem conhecimento de seus "erros" pela grande imprensa.

terça-feira, 17 de março de 2009

De olho no PPP Brasil. É só espiar! (Cap. 7)

E por falar em "boi de piranha", eis que o nobre senador José Sarney, presidente da Casa, resolveu expurgar o "mal do Senado". Exigiu que os mais de cem diretores entreguem seus cargos. Saiu dos bois e piranhas, mas se manteve no reino da bicharada, elegendo seus bodes expiatórios. E parece certo de que, com isso, vai exorcizar o Senado de um teimoso encosto que atende pelo nome de escândalo.
Tal medida, à primeira vista, pode até parecer correta, na medida em que busca lacrar uma importante e escancarada porta para vexames perante a opinião pública. Outros poderiam julgá-la radical, na medida em que extirpa indiscriminadamente a totalidade dos diretores, sem fazer a exata distinção entre justos e pecadores.
A mim, tal medida revela-se um desmedido embuste. Uma resposta troncha aos recentes episódios de desvios éticos, arquitetônicos, fiscais e tantos mais. Não vai além de distrair a opinião pública para razões outras, que não as verdadeiras mazelas do Senado, quais sejam a atuação (ou falta dela) dos próprios senhores senadores. Nepotismo terceirizado, farra aérea, vista grossa para horas extras muito suspeitas, entre tantos outros casos, são exemplos (ou maus exemplos) que vêm de cima. Se os senadores não se mostram fiéis observadores de uma conduta íntegra e alinhada aos interesses públicos, o que será das instâncias secundárias?
Enquanto isso, a gigantesca pauta do Senado dorme em berço esplêndido, à espera que os senadores saiam da atual letargia, do imobilismo crônico e ponham-se a produzir. Ou será que a "lógica" dos bônus por (im)produtividade já chegou às nossas terras?

De olho no PPP Brasil. É só espiar! (Cap. 6)

Parece que a visita brasileira fez com que os Estados Unidos se tornassem mais um exemplar de país da piada pronta. A seguradora, em crise, recebeu o seguro oficial do pacotaço e, como primeira medida, garantiu o bônus milionário da turma do último andar. Deu sinistro na seguradora, mas, ao que parece, quanto pior, melhor. Prêmio por (im)produtividade. Sinistro, não? Se eu fosse o Obama, faria um seguro do pacote, que a grana preta do contribuinte ianque começou a descer pelo ralo das falcatruas. De novo!


Por aqui, a gente tenta, mas o Senado teima em não querer sair da pauta. A nova moda é o nepotismo terceirizado. No mundo corporativo, funcionário terceirizado é conhecido como genérico, porque faz o mesmo efeito e custa muito menos. Certamente, não é o caso da turma do Senado, pois a boquinha é das mais disputadas. Aliás, se existe uma coisa em que o Senado é competente é em inverter qualquer lógica do mundo real. Afinal, o que são as horas extras durante o recesso?


Para não ficar "só" nesses escândalos, a caixa-preta do Legislativo Federal encontra novos ares. Do Planalto ao Maranhão, só se for de avião. De Brasília a São Luís, você voa mais feliz. Voe com segurança por conta da Roseana. O voo é com ela. A segurança é com o papai.


Segurança pública, cuidando da coisa particular. Diante de tanto "assunto" (para não dizer outra coisa), não resta outra conclusão: o que se faz na coisa pública, não se faz (nem) na privada.


Tem piranha morrendo empanturrada com o banquete farto dessa boiada.

sábado, 14 de março de 2009

De olho no PPP Brasil. É só espiar! (Parte 5)

Os boletins chegaram e as notas estão vermelhas. Brasil perdeu média. Foi mal no 4º trimestre e ficou em recuperação. Ou melhor, esperamos que entre logo em recuperação. Por hora, franca expansão só na fila do seguro-desemprego. Não na crista da onda, mas na onda da crise, Lula foi ter com Obama e, ao pé do ouvido, a maré ruim certamente polarizou.
Voltando a terras brasileiras, de pronto, pulamos do Executivo ao Legislativo. E Legislativo Federal no Brasil é cenário de uma salgada faceta: a capilar e cabeluda questão dos suplentes de senador. Para o suplente, qualquer brecha do titular é válida. Um pouco de sorte vem a calhar. Um pouco de manobra vem a Calheiros. Num chiste, o suplente é galgado ao posto de sentinela do Rei Nan e, no final, fica tudo colorido. Resta torcer que não obrem com as obras. Essa turma tem tudo para emPACar o Brasil.
Estamos de olho!

De olho no PPP Brasil. É só espiar! (Parte 4)

Não para o nosso espanto (com s), a tal excomunhão (com x) parece que se tornou ex-excomunhão (com duplo x). Extrema-unção na extrema falta de noção do bispo.

Por falar em extrema, sinto saudades do trema, nosso agora ex-trema (com ou sem hífen?).

E por falar em extremos, o X da questão na semana está mesmo nos extras das horas extras. E na extraordinária parcimônia por parte dos excelentíssimos. Não por acaso, até hoje, só seis senadores tiveram a decência de devolver a grana.

Estamos espiando (com s), exaustos (com x). Só podia ser sexta-feira. Treze. E esperando (com s) a expiação (com x) do Senado.

Ops, já é sábado.

Então, grande sábado 14 a todos!

quinta-feira, 12 de março de 2009

De olho no PPP Brasil. É só espiar! (Parte 3)

O Brasil continua sendo o PPP, ou País da Piada Pronta, na fala diária do intrépido José Simão. Mas o assunto que salta à vista nos últimos dias não tem a menor graça: desafortunadamente, são presença certa na grande imprensa os casos de abuso sexual contra crianças, no mais das vezes pelos próprios pais.
A coisa toda, de tão revoltante, provoca-nos sensações viscerais de repulsa. Ficamos nauseados, enojados, com tão hediondos ataques. Nem por isso podemos deixar que episódios como os que têm surgido caiam no esquecimento, ou que a repetição termine por banalizar essa atrocidade dentro de nossas mentes. Afinal, a julgar pelo posicionamento de certos bispos, aquele ato não é algo assim tão grave.
No entanto, cristãos ou não, sabemos que é. É atroz. Nefasto. Abominável. Nos rincões e nas metrópoles, gritos abafados pela inocência ou pela força bruta. O único ruído que ressoa da pobre vítima é a agonia silenciosa da lágrima que desce. Choque. A criança não faz ideia de toda a sordidez da agressão que lhe é imputada. Só posteriormente, talvez depois de alguns anos, estupefata, terá consciência de que foi levianamente corrompida. Só depois virá a saber que o seu vil algoz valeu-se de um corpo ainda em formação, de uma cabeça também em formação, para dar vazão ao mais cruel rasgo de doentia luxúria. Pior, valeu-se ainda da inabalável confiança que um filho ou filha deposita em seu pai, seu herói, aquele que, em sua cabecinha, estará sempre pronto a defendê-lo(a).
Não bastasse, em momentos de maior devastação, esses filhos da agonia geram outros filhos da agonia. De tão atroz, tal humilhação devasta até mesmo a dita ordem natural do nascer/crescer/reproduzir-se/morrer. Aleija a fase do crescer e, o que é pior, impõe uma morte em vida. Não é "apenas" a destruição de um corpo. É uma devastação de várias almas, em todas as suas minúcias.
O que a estupidez de certos bispos e congêneres não os deixa ver é que "só" a violência sofrida, em si, já é um aborto. Mas isso não interessa para aqueles déspotas da fé, arautos da intransigência. É coisa menor, nada que três "Ave-Maria" e dois "Pai-Nosso" não absolvam.

quarta-feira, 11 de março de 2009

De olho no PPP Brasil - Parte 2 - É só espiar!

Lula tomou um caldo da marolinha. Ou a onda era maior do que ele pensava, ou o chefe não soube nadar. Das duas, uma. Ou as duas.
O Lula não sabe nada ou o Lula não sabe nadar? Das duas, uma. Ou as duas.
O mar não tá pra Lula. Mas Lula não morre afogado. É só subir na popularidade que mal molha as canelas. Põe no bolso a turma do "Bolsa" e tudo fica uma maravilha. Para ele.
Lula nasceu mesmo virado para... a Lua! O tempo é de crise, a previsão quanto às precipitações marítimas foi errada, e, no entanto, os tucanos só fazem se bicar (ainda que, há muito, não se biquem).
E pra terminar, no mundo real, o subprime da melhor idade se anuncia no horizonte. Aumentou o limite de endividamento dos beneficiários do INSS.
Para acompanhar os fatos do país, só fazendo hora extra. No meu caso, hora besta. Aqui não tem Efraim, para democratizar a mamata.

De olho no PPP Brasil - País da Piada Pronta (Parte 1)

Descobri o real significado de PMDB. É "Partido Me Dei Bem". Ou "Primeiro, Me Dou Bem".
E em tempos de crise, um novo banco chega ao Brasil. Terá uma única agência. Bem no prédio do Senado. Não percam o lançamento nacional, ou melhor, federal, do sólido... Banco de Horas. 111% de liquidez. Nele, você aplica o suor do seu trabalho: enquanto você sua na praia, seu senador faz o país acreditar que você está trabalhando... e te paga muito bem por isso!
Venha para o Banco de Horas... porque tempo é dinheiro! E hora extra é 111% mais!
No Brasil, a piada é tão pronta que vivemos a exacerbação da literalidade. Tráfico no Aeroporto? Vocês não acham que tem aviãozinho nessa história?!
Chama a Polícia Federal! Se bem que... quem investiga quem? Se escutam tanto, será que vão me escutar gritando? Ou senão, "chame o ladrão, chame o ladrão!".
Segura a onda, meu povo, e não faz marola, que a marolinha subiu mais que o meu salário. Ficou 3,6% maior. Tá quase dando tubo!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Números que impressionam

O jornalista Carlos Alberto Sardenberg, da Rede Globo e da Rádio CBN, citou hoje pela manhã no Jornal da CBN uma analogia que ajuda a desvendar o tamanho do pacote norte-americano de combate à crise financeira: supondo que uma pessoa tivesse hoje a idade de Cristo - 2008 anos -, e tivesse gasto em cada dia de sua vida, repito, em CADA DIA DE SUA VIDA, a bagatela de 1 milhão de dólares, repito, 1 MILHÃO DE DÓLARES POR DIA, ainda assim não teria chegado ao valor total do pacote.
O cálculo é simples, e, talvez por isso, seja tão impressionante:
2008 anos X 365 dias por ano (desconsiderando bissextos) = 739.920 dias.
739.920 dias X 1 milhão de dólares por dia = 739 bilhões, 920 milhões de dólares.
Ainda assim, fica longe do valor final aprovado pelo Senado americano, de mais de 800 bilhões de dólares.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Carmen Miranda!

Carmen Miranda valorizou e honrou o Brasil e o povo brasileiro, carregando a nossa bandeira com todo amor e todo vigor em qualquer recanto por onde estivesse. Essa portuguesa de nascimento alçou sucesso sem precedentes nos Estados Unidos e soube responder com música e alegria aos críticos que a condenavam por ter voltado “americanizada”. Carmen Miranda foi uma rainha. Foi maior que o próprio tempo que a viu brilhar. É uma pena que, hoje em dia, boa parte das notícias do Brasil que chegam ao exterior dão conta de castelos nada majestosos. Rendamos homenagens à nossa eterna realeza.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Blog - uma febre, um vício...

Curioso notar como essa tal blogosfera é viciante. Depois que a gente começa a manter um blog, fica meio tentado a entrar outros, de amigos, conhecidos, pessoas públicas, ou mesmo de anônimos, no mais das vezes apenas por um "exercício de xeretismo" ou de comparação, quando não para participar ativamente de assuntos ali propostos. E como texto é prática, espiemos e comentemos. Uma boa dica é o site da CBN, quem mantém uma diversidade de blogs, seja dos âncoras, seja de alguns programas, sempre com algum tópico interessante. Vez em quando dou minhas digitadas por lá. A propósito, no programa Revista CBN já existe até um quadro de entrevistas específico sobre blogs. Em cada edição, a apresentadora Tânia Morales entrevista um blogueiro, contando histórias e curiosidades sobre seus diários virtuais.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O retorno à blogosfera!

Passados mais de quatro meses de afastamento deste espaço que tanto prezo, retomo hoje tal atividade que me é tão cara. Os motivos de tal ruptura com o MADRUGADA foram vários, entre eles a preparação de um livro de poesia e, como não poderia deixar de ser, as odisséias diárias de ser pai, bancário, concurseiro e ainda metido a escritor. Sigo a achar que as habituais 24 horas a que temos direito por dia são insuficientes. No entanto, sendo tal particularidade cláusula pétrea de nossa organização temporal e não cabendo recurso a tal desmando do movimento de rotação terrestre, resta desfrutar das madrugadas produzindo o MADRUGADA.
Fonte da foto: Blog Linhas Poéticas

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Violência urbana - causa ou conseqüência?

O mercado de blindagem de automóveis está em alta. O mercado de circuitos internos de TV está em alta. O mercado de segurança particular patrimonial também está em alta. A indústria e o comércio desses e de muitos outros dispositivos de segurança vivem um consistente crescimento, sobretudo em países emergentes como o Brasil. Apesar dos maus ventos soprados pela grande crise da economia norte-americana, o setor de dispositivos de segurança vive a sua melhor fase.
A explosão desse mercado não se dá sem que seja precedida de profundas transformações na vida em sociedade. Os espaços públicos e de convivência gradualmente se tornam ociosos ou subutilizados. Nas ruas das grandes cidades, os carros circulam de vidros fechados. Os pedestres, agarrados aos seus pertences. Diariamente, sentimo-nos ameaçados por um fantasma chamado violência.
Essa realidade, que a cada dia faz aumentar a sensação de estarmos presos atrás de grades e muros, faz-nos pensar no fenômeno da violência e suscita questionamentos quanto à sua origem e suas conseqüências. A abordagem do tema se polariza em duas vertentes: primeiro, a violência como causa dessas mudanças sociais; e, segundo, a violência como conseqüência de um processo de exclusão social, inerente ao modelo capitalista, que tem se mostrado incapaz de eqüalizar oportunidades nas mais diversas camadas sociais.
É curioso, em períodos eleitorais como o atual, ouvir de candidatos as propostas relativas ao problema da segurança pública e da criminalidade. Uns defendem que a solução estaria no aparelhamento de polícias e forças de segurança. É a visão da violência como causa dos transtornos sociais. Outros defendem que a solução está em investir em políticas públicas de inclusão social. É a premissa da violência como conseqüência de uma realidade de desigualdade social.
Se considerarmos que a violência é a causa das profundas mudanças que estão ocorrendo na sociedade, constatamos a degradação não só das relações sociais, mas do próprio homem, que viveria um processo de bestialização e banalização da violência, a partir sobretudo da prevalência da individualidade e da competitividade entre os indivíduos.
Por outro lado, se verificarmos a questão da violência em países desenvolvidos, em que as oportunidades de emprego, saúde, educação e tantas outras necessidades sociais são devidamente supridas pelo estado, verificamos que a criminalidade existe, mas em proporções muito inferiores.
Com base nos argumentos aqui apresentados, a questão da violência parece muito mais uma conseqüência da exclusão social do que a causa de transformações sociais. Enquanto não dispusermos de condições mínimas e oportunidades equivalentes de desenvolvimento pessoal e profissional, as grades e os muros continuarão nos dando o alento de uma segurança que resolve sintomas, mas não o problema em si.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Vestido de Noiva

Sobre envelhecer com dignidade e fugindo um pouco de Madonna e REM, digna de nota a atuação de Norma Bengell, revivendo Madame Clessi, em Vestido de Noiva, da cia. de teatro “Os Satyros”. Gratificante vê-la em plena forma aqui no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, mesmo depois de uma contusão, que a impediria de vir, não fosse a sua fibra. Ao final, o choro de Norma foi a emoção de todos nós. Melhor ainda foi tê-la em Nelson Rodrigues, alguém que teima em, dignamente, não envelhecer nunca, graças a cada uma de nossas indignidades.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

"Dá pra resumir?"

O império da mediocridade avança sobre a raça humana! É triste e desesperador pensar como um batalhão de gente hoje em dia se exime justamente… de pensar! Qualquer mínimo exercício de reflexão torna-se tarefa hercúlea, que no mais das vezes, resulta em “ah, deixa pra lá…!”. Ou então na emblemática “dá pra resumir?”. O pensamento, a reflexão e o exercício da abstração, cara Lorena, caro Álvaro e amigos, são a base que nos diferencia dos animais irracionais. Não sei fazer juízo de valor se estamos mais ou menos evoluídos que os tais bichos. Mas sei que esse é um elemento que nos livra do nível da bestialidade. Abrir mão disso, por preguiça, negligência, ignorância ou coisa que o valha, é deixar o caminho livre para que tenhamos novos casos Richtoffens, Nardonis, ou outros “João Hélio”. Devemos nos agarrar, como um náufrago à sua bóia, a todo e qualquer lampejo de problematização da vida e das coisas da vida. Aqui em Belo Horizonte, ontem à noite, tivemos o prazer de ver Zeca Camargo e Rubem Alves na Bienal do Livro. Oportunidade ímpar de parar por um instante as tarefas do cotidiano… e de pensar. Pensar, refletir e dialogar sobre as coisas da vida, sobre o caráter múltiplo e multifacetado da existência humana. Eu, como muitos outros, esperamos horas por uma sessão extra, que Zeca e Rubem generosamente nos ofereceram, diante da grande procura. Grata espera que nos permitiu uma hora de boa conversa com essas grandes figuras. Tempo de pensar! Talvez Lorenas e Álvaros passassem por ali, com ar de enfado, e dissessem: “Blargh! Papo-cabeça…!”.

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